Conviver com jogador compulsivo

Conviver com jogador compulsivo pode afetar sua saúde mental

Muito se engana quem pensa que somente o apostador sofre com as consequências do vício em apostas. Conviver com jogador compulsivo também costuma ser um grande desafio e traz problemas à saúde mental, financeira e nos relacionamentos.

Por isso, existe a pergunta: quem cuida da saúde mental de quem precisa conviver com jogador compulsivo todos os dias? Ao assumir o papel de suporte emocional e vigilância, pais, parceiros, filhos e outros familiares negligenciam as próprias emoções, limites e necessidades.

Este artigo é justamente para você que precisa conviver com jogador compulsivo e sente que também está tendo dificuldades. Para que você possa entender que cuidar da sua saúde mental é fundamental e existem maneiras práticas de fazer isso sem atrapalhar o apoio que você já oferece.

Conviver com jogador compulsivo também adoece

Fique tranquilo, adoecer ao conviver com um jogador compulsivo não é falta de empatia, muito menos um sinal de fraqueza. A convivência é cheia de turbulências, estresse, conflito e insegurança financeira. Por isso, é normal que a sua saúde mental seja prejudicada ao longo desse processo.

Você assume muitas responsabilidades e se culpa quando as coisas dão errado. É como se você estivesse em estado de alerta constante, fora o fato de ser o suporte emocional de uma pessoa fragilizada. A consequência disso é a evolução para um estado crônico de saúde mental.

Quando isso acontece, é muito comum ter sintomas como ansiedade constante, insônia, irritabilidade, culpa excessiva, sensação de impotência, tristeza profunda ou depressão. Por isso, é fundamental reconhecer esses sinais para proteger sua saúde mental.

Não tente “salvar” o apostador sozinho

Um dos erros mais comuns ao conviver com jogador compulsivo é tentar assumir um papel de “salvador da pátria”. Você começa a controlar as contas, o dinheiro, o comportamento, cobre dívidas, luta para fazer o jogador parar de apostar e ainda tenta evitar recaídas.

E o que você acredita ser a solução para o problema, na realidade está causando outro: a sua sobrecarga emocional. Essas atitudes te dão uma falsa sensação de controle, já que não dá para curar a ludopatia de uma pessoa sozinho. É preciso mais do que força de vontade.

Além disso, você não pode assumir a responsabilidade pela recuperação do apostador. Quando isso acontece, você passa a viver em função do problema e abandona a própria vida. 

Por melhor que possam ser as suas intenções, achar que você pode salvá-lo da ludopatia por conta própria só vai piorar a situação. E trará problemas também para você mesmo, não somente para o apostador.

Inicie seu autocuidado antes de oferecer apoio

Conviver com jogador compulsivo
Foto: Reprodução

Um dos principais mitos ao conviver com jogador compulsivo é que cuidar de si mesmo durante o processo de recuperação do jogador é egoísmo. Muito pelo contrário, quanto mais saudável você estiver, melhor será o seu apoio. O autocuidado permite que você tenha mais clareza, firmeza e empatia.

Por isso, não se trata de ignorar o problema do jogador compulsivo ou deixá-lo de lado. Significa que você precisa estar bem para oferecer suporte emocional a uma outra pessoa. E você pode começar:

Estabeleça limites claros

Quando falamos de estabelecer limites, significa encontrar um meio termo ideal no apoio ao conviver com jogador compulsivo. Você não precisa aceitar tudo, mas também não deve sair julgando ou cobrando. A ideia do limite é deixar claro o que você está disposto a tolerar e o que você não irá permitir.

A melhor forma de fazer isso é tendo uma conversa aberta e sincera com o jogador. Explique quais atitudes também te prejudicam, como você se sente ao lidar com a situação e fale também sobre limites financeiros.

Separe o problema da pessoa

A ludopatia é uma doença mental como qualquer outra, ou seja, não é uma questão de falta de vontade do jogador. Entenda que o comportamento compulsivo não tem relação com a identidade da pessoa, e é um processo no qual ela está passando.

Saber separar isso não apaga os erros, mas evita ressentimentos profundos e desgaste emocional extremo.

Procure ajuda

Assim como no caso do jogador compulsivo, é comum sentir vontade de se isolar por vergonha ou medo do julgamento. No entanto, é possível conversar com pessoas da sua confiança, participar de grupos de apoio ou buscar orientação profissional.

Dessa forma, você constrói uma rede de apoio e alivia a sua confusão emocional.

Quando procurar ajuda?

A melhor hora de buscar ajuda é quando você percebe que está adoecendo emocionalmente ao conviver com jogador compulsivo. É preciso se preservar, se separar do problema do outro e trabalhar no seu autocuidado.

E existem alguns sinais que indicam que você ultrapassou o limite e precisa de ajuda. Alguns deles são o estado constante de ansiedade, medo ou vigilância. Você também passa a mentir, encobrir, pagar dívidas ou tentar controlar a situação e, ainda, sente culpa ao colocar limites.

Saiba que a sua própria vida não precisa girar em torno do problema do outro. Isso pode causar exaustão, irritação, ressentido ou falta de esperança. Portanto, ao conviver com jogador compulsivo, o seu tratamento também faz parte do tratamento dele.

IAA cuida de quem precisa conviver com jogador compulsivo

O Instituto de Apoio ao Apostador entende que a ludopatia não afeta apenas quem aposta, mas sim todo o entorno. Por isso, oferecemos suporte também para familiares que precisam conviver com jogador compulsivo e sentem o peso emocional e o desafio que é essa relação. 

Nós disponibilizamos grupos de apoio semanalmente de forma gratuita para familiares de apostadores compulsivos, além de orientações especializadas e conteúdos explicativos sobre o tema em nosso blog. Os espaços são seguros e acolhedores, com profissionais experientes no combate ao vício em apostas.

Fale com nosso atendimento e saiba mais sobre como cuidar da sua saúde mental ao conviver com um jogador compulsivo. 


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